Por: Liliam Benzi* O consumo brasileiro atravessa uma mudança geracional que merece a atenção das…
Consumo fora do lar, uma oportunidade estratégica para as embalagens
Por: Liliam Benzi*
O consumidor está ampliando suas ocasiões de consumo fora de casa e esse movimento traz oportunidades para toda a cadeia de alimentos e embalagens. Segundo o Brand Footprint Out of Home 2026, da Worldpanel by Numerator, 39% do valor gasto em bens de consumo rápido já ocorre fora do lar, um avanço de 1,1 ponto percentual em relação ao período anterior.
Para as marcas, fica o desafio: oferecer um produto adequado ao momento, lugar e forma de consumo, ou seja, um encontro entre conveniência e experiência no qual as embalagens plásticas flexíveis podem ser estratégicas.
Os indicadores ajudam a dimensionar a mudança. Na comparação entre os 12 meses encerrados em junho de 2026 e o mesmo período de 2025, as ocasiões de consumo cresceram 21,0% e a frequência avançou 20,9%, enquanto a base de compradores variou apenas 0,1%. Esse crescimento está associado principalmente à maior recorrência de um público que já consumia fora de casa.
Isso não significa, porém, que todas as marcas devam seguir a mesma receita. A pesquisa mostra que conquistar compradores e ampliar a frequência continuam sendo caminhos relevantes e a oportunidade está em identificar quais necessidades ainda podem ser atendidas e desenvolver combinações coerentes de produto, preço, distribuição e embalagem.
Mais ocasiões, maior disputa pela escolha.
Já o indicador Consumer Reach Points (CRP), que combina universo de consumidores, penetração e frequência de compra, mostra que a cesta de alimentos industrializados cresceu 22% no período. Um crescimento mais seletivo. Entre as marcas que avançaram, 43% combinaram aumento de penetração e frequência, 31% avançaram apenas por frequência e 26% apenas por penetração.
O dado indica que um mercado em expansão não distribui resultados de maneira automática. Para converter novas ocasiões em escolhas, as marcas precisam compreender o contexto de consumo. Um lanche comprado na padaria, um doce na loja de conveniência e um alimento levado para consumir durante um deslocamento podem exigir propostas – e embalagens – diferentes, mesmo sendo da mesma categoria.
É nesse ponto que a embalagem participa da estratégia. Tamanho, facilidade de transporte, abertura/refechamento, proteção e identificação do produto precisam funcionar em conjunto. Fora de casa, a experiência pode acontecer sem mesa, sem utensílios e sem possibilidade de guardar adequadamente o que sobrou. A conveniência prometida pela marca precisa sobreviver ao mundo real.
As embalagens plásticas flexíveis oferecem formatos e porções que atendem a diferentes ocasiões: unidades individuais, pequenos pacotes, embalagens para compartilhar e versões com sistemas de refechamento, quando apropriados à aplicação.
Essa versatilidade permite trabalhar a arquitetura do portfólio. Uma marca pode oferecer quantidades e preços de desembolso distintos, adequando sua proposta aos canais e às necessidades do consumidor. A decisão, entretanto, exige equilíbrio: reduzir a porção não garante, isoladamente, maior conveniência ou melhor relação de valor percebido.
A proteção é decisiva e não existe uma estrutura universal. O desempenho depende da compatibilidade entre alimento, materiais, selagem, processo de acondicionamento e condições de distribuição. A embalagem precisa ser dimensionada para a aplicação, com validação de sua segurança e de sua capacidade de preservar o produto durante a vida útil prevista.
Uma estratégia, muita engenharia.
Para a marca, essa engenharia se concretiza na experiência de consumo correspondente à expectativa criada pela comunicação. O consumidor repetirá a compra se gostar do produto e se a embalagem garantir sua integridade e criar uma experiência positiva.
Embora não aborde diretamente as embalagens, os estudos permitem formular perguntas úteis para o desenvolvimento de soluções. Para conquistar novos compradores, como facilitar o reconhecimento da marca, comunicar o produto e oferecer uma quantidade adequada à experimentação? Para estimular a recorrência, como tornar a experiência prática, consistente e compatível com diferentes rotinas? São perguntas que aproximam marketing e engenharia de embalagem.
Fica claro que o crescimento do consumo fora do lar reforça a necessidade de tratar a embalagem como parte da estratégia de negócio. Para as marcas, a oportunidade está em integrar conhecimento do consumidor, desenvolvimento de produto, engenharia de embalagem e desempenho nos canais de venda.
As embalagens plásticas flexíveis contribuem com proteção, diversidade de formatos, conveniência e comunicação; benefícios concretos para cada aplicação.
Com mais ocasiões de consumo e com o crescimento mais seletivo entre as marcas, estar disponível é essencial. Mas chegar ao consumidor com a porção adequada de um produto perfeito, consumível facilmente em qualquer lugar, pode ser a chave para a fidelização à marca e repetição da compra.
*Liliam Benzi é Assessora de Comunicação da ABIEF (LDBCOM@UOL.COM.BR).

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