Por Liliam Benzi* O varejo vive uma transformação silenciosa, porém profunda. Nas lojas físicas, nas…
Se 2026 tivesse uma manchete, ela seria “leitura de comportamento”
Por Liliam Benzi*
O consumo brasileiro entra numa fase em que os números seguem importantes, mas rastrear o comportamento do consumidor avança em profundidade. Embora o mercado pareça estável, especialistas indicam um momento de reorganização estrutural. Não estamos diante de tendências pontuais, mas de uma mudança silenciosa na forma como as famílias se organizam, como a saúde é percebida, como o tempo é valorizado, como o bem-estar é comprado e como as marcas são julgadas.
O Brasil que chega a 2026 compra menos por impulso e mais por critério. Compra com menos volume, mais intenção. Menos excesso, mais função. Menos promessa, mais entrega. O consumidor não quer mais ser convencido; ele quer ser respeitado, entendido e servido com precisão quase cirúrgica. E as embalagens precisam estar alinhadas a este novo querer.
Não estamos falando tanto de grandes rupturas tecnológicas ou revolução de canais; isto já aconteceu. O importante agora é a capacidade de interpretar nuances e praticar uma escuta ativa aos desejos das pessoas. Esta escuta vale também para a indústria de embalagens cujo desafio é ainda maior: rastrear e entender o consumidor final e seu cliente direto, as empresas de bens de consumo.
Os desenvolvimentos não serão mais “empurrados”, mas ofertados dentro de um modelo de soluções organizadas e criadas a partir de inovação, tecnologia e muita inteligência de mercado.
Também é fato que em 2026, as marcas não competirão apenas entre si; elas enfrentarão uma onda de cansaço emocional do consumidor contra o excesso de informação, e a banalização das promessas de sustentabilidade, saúde e bem-estar. Ganhará – em produtos e embalagens – quem traduzir essa complexidade com clareza, quem transformar dados em decisões, e quem entender que o crescimento deverá vir da precisão e não da expansão.
Se antes crescer era ocupar espaço, agora crescer é ocupar significado. E para facilitar a vida das empresas nessa caça aos desejos do consumidor, a Worldpanel by Numerator elencou 10 tendências que deverão moldar o mercado de bens de consumo no Brasil, influenciando marcas e embalagens.
- Estabilidade com novas dinâmicas
O mercado cresce menos e o consumidor compra mais vezes, levando menos itens. O jogo migra de “quanto vende” para “como converte” e a estratégia é obter rentabilidade pela eficiência e não pela escala. As palavras-chave são:
- conversão por visita é a nova moeda;
- sortimento enxuto;
- tickets maiores em missões menores;
- ativações cirúrgicas, não massivas.
- Brasil em transformação: menos filhos, mais longevidade e mais pets
O país envelhece e os lares mudam, e os portfólios precisam falar com três motores: longevidade, criança única e pet premium. Uma tendência justificada por:
- 15% da população com mais de 60 anos;
- seniors concentram 16% do gasto com alimentos de consumo rápido;
- 30% dos lares sem filhos;
- pets viram “filhos emocionais” e puxam a ‘premiurização’.
- Qualidade de vida é o novo status social
Status não é mais ostentação, é equilíbrio, e as marcas que entregam bem-estar real ganham liderança. Uma situação pautada por:
- licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram +68%;
- OTC (medicamentos sobre o balcão) cresce fortemente;
- Brasil lidera consumo de analgésicos na América Latina;
- vitaminas e prevenção ainda são pouco exploradas.
- Entre saudabilidade e emagrecimento
Canetas emagrecedoras e similares estão mudando os hábitos de consumo, criando uma nova coexistência: saudabilidade acessível + nutrição premium funcional. O consumidor exige:
- porções menores;
- nutrição essencial;
- valor agregado real.
- Funcionalidade, socialização e indulgência consciente
Três motores simultâneos que revelam os benefícios da proteína, do relaxamento e do prazer controlado, e abrem novas frentes para produtos e embalagens:
- bebidas proteicas: +90% vs leite saborizado;
- no/low alcohol cresce rápido;
- snacking premium avança;
- indulgência sem culpa.
- Beleza além do básico: autocuidado como rotina
A beleza deixou de ser luxo e a estratégia é democratizar o premium e aumentar sua frequência de uso. O mercado já dá sinais de sucesso:
- perfumes crescem +15%;
- brasileiro usa em média seis categorias por semana;
- classes DE impulsionam crescimento;
- embalagens maiores e kits ganham força.
- Limpeza sofisticada: da necessidade à experiência
A limpeza doméstica se transformou numa experiência sensorial, além de garantir bem-estar, praticidade e eficiência superior. O mercado está marcado por:
- lavanderia concentra 40% dos gastos;
- produtos concentrados e perfumados dominam;
- misturinhas caseiras ainda estão em 20% dos lares (ameaça real).
- Varejo fluido: mais que multicanal
O consumidor navega por 08 diferentes canais, criando a necessidade de integração total de canais + experiência sem fricção. Em linhas gerais são:
- 24 compras por ano;
- alta do e-commerce em 13,8%;
- 2 em cada 5 compras online via WhatsApp;
- delivery como pilar estrutural;
- social commerce deixa de ser tendência e vira infraestrutura.
- Presentes sazonais: novas ocasiões, novas categorias
Presentear cresce fora das datas tradicionais e as embalagens são fundamentais para criar “presentes prontos”, temáticos e acessíveis o ano todo. No radar:
- Higiene & Beleza é a cesta mais presenteada;
- ticket médio entre R$20 e R$120;
- kits simples geram alto valor percebido.
- Paixão pelo esporte: consumo em movimento
Em ano de Copa do Mundo, é preciso transformar torcida em ocasião estruturada de consumo. As bets participam do contexto, como um motor emocional de consumo. Nos dois casos temos:
- 50% dos lares já apostam;
- mercado de apostas deve investir R$500 milhões em publicidade;
- em Copas anteriores:
- snacks +6%;
- cervejas +7%;
- churrasco +10%.
*Liliam Benzi é especialista em comunicação, marketing e desenvolvimento de negócios e de estratégias para B2B, com ênfase no setor de embalagens. Também atua como editora de publicações e Assessora de Comunicação de diversas empresas e entidades, entre elas a ABIEF.
Foi eleita Profissional do Ano pela Revista Embanews. Também é Press & Communication Officer da WPO (World Packaging Organization – Organização Mundial de Embalagem) e está à frente da LDB Comunicação Empresarial desde 1995 (ldbcom@uol.com.br).

This Post Has 0 Comments