Por Liliam Benzi* O varejo vive uma transformação silenciosa, porém profunda. Nas lojas físicas, nas…
Inovando com transparência: quando a transformação é inevitável e somos agentes desse processo
Vivemos um momento em que a inovação, por si só, já não basta. O futuro será mais inteligente e conectado, mas também mais exigente. Não é suficiente criar algo novo: é preciso fazer sentido, tomar decisões baseadas em dados e agir com clareza, segurança e transparência.
A 13ª edição do Brasil em Código, evento promovido pela GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação , foi justamente sobre isso, um encontro para inspirar, conectar e incentivar o compartilhamento de conhecimento, no qual mais de 30 especialistas reforçaram que a mudança é inevitável e, gostemos ou não, todos somos – e seguiremos sendo – protagonistas dessa transformação.
Ficou claro ainda que a verdadeira inovação não é apenas inventar, mas inovar de forma aberta, rastreável, transparente e inclusiva. Isso vale para negócios, tecnologias e relações humanas. Como destacou Denise Fraga, atriz que abriu o evento, “precisamos construir histórias que acolham e nos lembrem que sucesso não pode ser dissociado de felicidade. Afinal, o que é sucesso se não alegria? E por que ainda insistimos em desconfiar da eficácia da gentileza?
Segundo ela, o mundo digital nos matriculou, sem pedir autorização, numa escola de impaciência. Perdemos a capacidade de escuta no presente e trocamos fatos por opiniões e narrativas por discursos vazios. Estamos todos em um grande nó: excesso de telas, déficit de atenção, relações frágeis. A omissão, nesse cenário, é a pior das ações. E para isso ela sugere “bolsinhas de afeto” e o resgate da escuta genuína.
O evento, dividido em três palcos – Conexão, Estratégia e Transformação, e Impacto e Negócios – trouxe ainda uma discussão importante sobre trabalho, identidade e propósito. Alexandre Pellaes lembrou que a vida não cabe no emprego e que toda empresa precisa ser uma plataforma de conhecimento. “O desafio não é apenas repensar a relação com o trabalho, mas redefinir o significado que damos a ele. Liderança não é atributo fixo de uma pessoa, mas um fenômeno relacional que não pode ser exercer no modo “atacado”, somente no modo “varejo”.
O futuro do trabalho exige ainda intencionalidade, flexibilidade, autonomia, humanização das relações, descentralização de decisões e alinhamento entre contratos psicológicos e sociais. Ninguém sabe tudo ou pode estar em tudo bem. E para evoluir, é preciso transformar dados em vantagem competitiva, usando a tecnologia a serviço das pessoas e cultivando autoconhecimento.
Tecnologia, foresight e o jogo da adaptação
A futurista Jaqueline Weigel levou outra provocação: o futuro não é tecnologia, é gente e a inovação não basta sem reputação, transparência e propósito. “Empresas que não se antecipam serão surpreendidas e por isso o foresight – competência de mapear e interpretar mudanças – é mais estratégica que qualquer plano linear.
Estamos entrando na era das quantum shifts – mudanças abruptas, radicais, capazes de redefinir setores inteiros – lembrando que as forças que moldam o mundo incluem clima, escassez de recursos, tensões geopolíticas, longevidade ativa e inteligência artificial. A pergunta é: sua cadeia de fornecimento, sua liderança e seu modelo de negócios estão preparados para cenários de alta regulação, inovação verde ou adoção radical de tecnologia?
Um recorte deste questionamento para o varejo (setor de atuação da GS1 Brasil), trouxe seis tendências ganhando força:
1. Digitalização total e automação inteligente.
2. Varejo híbrido e hiperpersonalizado, com experiências imersivas.
3. Modelos regenerativos e circulares por exigência regulatória e do consumidor.
4. IA como motor para prever demandas e otimizar operações.
5. Cadeias resilientes e descentralizadas.
6. Fidelização baseada em propósito, transparência radical e valor relacional.
O consumidor de 2030 será rápido para “demitir” marcas que não entregam valor real. E não será possível escolher um pouco de cada cenário; será preciso decidir e construir.
E neste contexto, as empresas ganham o papel de agentes de transformação num universo descrito por Jefferson Lopes Denti , CDO AI & Gen AI da Deloitte , como a Quinta Revolução Industrial. Este universo não é sobre a tecnologia em si, mas sobre como ela muda o trabalho. IA generativa, robótica e inovação aberta são apenas meios; o diferencial está na capacidade de orquestrar ecossistemas, preparar pessoas e assumir riscos calculados.
E o agente de mudança é você! Lembrando que mudar é inevitável e a forma como mudamos faz toda a diferença. É preciso combinar estratégia, processos, apetite a risco, talento, dados e tecnologia. Criar ambientes de confiança, promover conexões autênticas, fortalecer instituições, planejar cenários e cultivar inteligência adaptativa.
Os negócios que prosperarão pós-2030 serão os que tiverem coragem de redesenhar suas lógicas antes da disrupção. E essa coragem começa em cada um de nós, assumindo o papel de agente de transformação no trabalho, na sociedade e no próprio futuro.
Você e sua empresa estão prontos?
Liliam Benzi é especialista em comunicação, marketing e desenvolvimento de negócios e de estratégias para B2B, com ênfase no setor de embalagens. Também atua como editora de publicações e Assessora de Comunicação de diversas empresas e entidades, entre elas a ABIEF – Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis .
Foi eleita Profissional do Ano pela Revista EMBANEWS . Também é Press & Communication Officer da WPO World Packaging Organisation e está à frente da LDB Comunicação Empresarial desde 1995 (ldbcom@uol.com.br).

This Post Has 0 Comments