Por Liliam Benzi* O varejo vive uma transformação silenciosa, porém profunda. Nas lojas físicas, nas…
Estamos prontos para o consumidor 2.0?
Por Liliam Benzi*
Quando falamos sobre o novo consumidor e seus padrões, a pergunta que não cala: qual será a função estratégica das embalagens plásticas flexíveis nessa era de consciência e conexão?
Não é de hoje que o comportamento do consumidor passa por uma verdadeira revolução silenciosa e profunda. Se antes o preço, a conveniência e a promoção definiam a compra, hoje o processo é mais elaborado, emocional e ético.
O chamado “consumidor 2.0” vive entre dois mundos — o físico e o digital — e move-se por propósito. Ele pesquisa, compara, exige transparência e espera que cada marca comunique não apenas o que vende, mas o porquê da sua existência.
Em pesquisa recente da ABCasa, em parceria com o IEMI, 67% dos entrevistados afirmaram que a internet influencia as decisões de compra, mesmo quando o desfecho acontece numa loja física. O inverso é verdadeiro: muitos conhecem o produto pessoalmente e finalizam o pedido online. Esse consumidor não é mais impulsivo; ele é informado. Planeja, analisa e escolhe com base em valores.
Nesse novo código de consumo, que combina conveniência com consciência, estética com ética, preço com propósito, a embalagem assume protagonismo. Especificamente as plásticas flexíveis mostram um enorme potencial como aliadas estratégicas nessa jornada.
Leveza, versatilidade de formatos e tamanhos, reciclabilidade e conteúdos reciclados, e eficiência na produção são alguns dos atributos que respondem às principais demandas do consumidor 2.0 plugado em qualidade, praticidade e sustentabilidade. A cereja do bolo está na proteção que traz a reboque dois conceitos que definem o papel contemporâneo da embalagem: Save Food e Food Safety.
Save Food traduz o compromisso global de reduzir o desperdício de alimentos; segundo a ONU são desperdiçadas cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos por ano. Embalagens inteligentes e de alta barreira, podem reverter este caos ao prolongarem a vida útil dos produtos, evitarem contaminações e permitirem porções mais adequadas ao consumo real. É a tecnologia a serviço da eficiência e da responsabilidade.
Já o Food Safety diz respeito à segurança dos alimentos. O consumidor conectado quer saber o que consome e como consome; se possível quer rastrear toda a cadeia, da matéria-prima ao descarte da embalagem pós-consumo. Novamente as embalagens plásticas flexíveis entregam valor. A evolução das estruturas e do seu desempenho, a partir de materiais seguros, rastreáveis e em conformidade com as regulamentações nacionais e internacionais são um passaporte para despertar a confiança e cativar o consumidor. Selagem perfeita, múltiplas barreiras, integridade do conteúdo, rastreabilidade e reciclagem e/ou uso de materiais reciclados, já são enaltecidos como sinônimos de confiança.
Um capítulo à parte é a sustentabilidade que deixou de ser discurso ambiental para tornar-se um pilar estratégico no posicionamento de marcas, produtos e empresas. O consumidor quer coerência entre o produto e o planeta. A boa notícia é que a indústria de embalagens flexíveis vem respondendo a esta demanda com inovação: filmes recicláveis monomaterial, estruturas compatíveis com reciclagem mecânica e química, incorporação de conteúdo reciclado e processos de produção com menor pegada de carbono.
Esses avanços aproximam as embalagens da economia circular e posicionam o setor como agente de transformação. Preservar os alimentos também significa preservar os recursos utilizados em cada etapa da cadeia (água, energia, solo e trabalho).
A pesquisa mostrou ainda que marca, propósito e confiança andam juntas. Entre os consumidores que lembraram de marcas adquiridas, 71% afirmaram que este “combo” foi decisivo na escolha. O que mostra que o vínculo emocional e a percepção de valor são determinantes na compra. Aí entra um outro papel da embalagem: funcionar como mídia, manifesto, ponto de contato entre propósito e percepção.
Uma embalagem bem pensada comunica valores, educa sobre descarte, reforça a identidade visual e transmite credibilidade. Em um mercado saturado de estímulos, ela traduz a alma da marca e sustenta a promessa de qualidade e segurança feita ao consumidor.
As embalagens plásticas flexíveis estão aptas a atender a este consumidor 2.0 que não compra apenas produtos, mas significado. Um consumidor que busca marcas que representem seu modo de viver, de pensar e de cuidar. Nesse novo mapa de consumo, as embalagens plásticas flexíveis ocupam um lugar estratégico ao unirem tecnologia, sustentabilidade e comunicação.
Elas protegem os produtos, mas também contam histórias, valores e propósitos. Em tempos de hiper conexão e de hiper consciência, a proteção se estende ao planeta e à relação de confiança entre marcas e pessoas.
O consumidor 2.0 já entendeu isso. A indústria também. O desafio, agora, é transformar cada embalagem em um elo de pertencimento e em um símbolo de futuro possível, flexível, sustentável e humano.
*Liliam Benzi é especialista em comunicação, marketing e desenvolvimento de negócios e de estratégias para B2B, com ênfase no setor de embalagens. Também atua como editora de publicações e Assessora de Comunicação de diversas empresas e entidades, entre elas a ABIEF.
Foi eleita Profissional do Ano pela Revista Embanews. Também é Press & Communication Officer da WPO (World Packaging Organization – Organização Mundial de Embalagem) e está à frente da LDB Comunicação Empresarial desde 1995 (ldbcom@uol.com.br).

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